Um em cada 10 mil14/10/2012 | 09h02

Atenção às manchas vermelhas na pele

Elas podem ser sinais de doenças sanguíneas que se caracterizam pela destruição das plaquetas

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Viviane Bevilacqua

De repente, começaram a aparecer manchas vermelhas (arroxeadas) na pele de Vinícius Amaral, 15 anos, sem qualquer motivo aparente. Primeiro, nas pernas, depois nas costas. A ponta de um dedo sangrou, assim como uma ferida dentro da boca, que apareceu de uma hora para a outra.

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Preocupada com aqueles sintomas, aparentemente desconexos, Andréia Amaral decidiu não esperar mais. Levou o filho a um centro médico. Depois de alguns exames, principalmente de sangue (hemograma), chegou a notícia preocupante: o adolescente estava com apenas 2 mil plaquetas no sangue, enquanto que a quantidade normal, numa pessoa saudável, varia entre 150 mil a 400 mil.

Ele foi levado direto para o hospital. Vinícius recebeu o diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI), uma doença sanguínea autoimune, que se caracteriza pela destruição das plaquetas, células produzidas na medula óssea e ligadas ao processo de coagulação inicial do sangue.

O nome está diretamente relacionado às principais manifestações da doença: púrpura é uma referência às manchas roxas ou avermelhadas que aparecem na pele; trombocitopênica, em razão da trombocitopenia, ou seja, do sangramento provocado pela queda no número de plaquetas; e idiopática, porque a causa da doença ainda não foi identificada.

A enfermidade afeta uma em cada 10 mil pessoas, e incide mais nas mulheres em idade fértil do que nos homens. Crianças e adolescentes podem apresentar uma forma aguda de PTI, em geral decorrente de um quadro infeccioso viral.

Este foi o caso de Vinicius Amaral. A mãe, Andrea, conta que ele teve uma leve dor de garganta. Foi então que o vírus se alojou no organismo e comprometeu sua saúde, em questão de poucos dias.

No hospital, Vinícius recebeu transfusão de plaquetas — os amigos dele inclusive fizeram campanhas em favor da doação de sangue para ele, usando as redes sociais — e diversos tipos de medicamentos. O garoto recebeu alta do hospital quando estava com uma contagem de 78 mil plaquetas, bem melhor do que quando foi internado, mas mesmo assim muito abaixo do que seria o ideal (superior a 150 mil).

Vinicius, que ama esportes e já competiu com seu time de futebol até na Europa, recupera-se em casa, em repouso, com a companhia da família, amigos e da namorada. Continua recebendo medicamentos, especialmente corticoides e antibióticos, mas não perde nunca o bom humor.

— Eu tive sorte, porque a doença foi descoberta a tempo, e pude contar com o apoio da família e de todos os meus amigos — comentou.

Doença pode ser aguda ou crônica

Quando aparecem manchas roxas estranhas na pele, a pessoa costuma procurar primeiro um dermatologista. E este pode ser o caminho para descobrir se trata-se de doença mais séria ou não, explica o especialista Marcelo Rigatti, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

— O dermatologista vai poder identificar que tipo de púrpura se trata, inclusive solicitando um hemograma no caso de suspeita de algo mais sério. Depois disso, caso se confirme tratar-se de uma enfermidade ligada ao sangue, ele fará o encaminhamento do paciente ao hematologista — explica Marcelo.

A púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) é uma doença adquirida e geralmente benigna, de causa desconhecida, que se caracteriza pelas baixas contagens de plaquetas. Segundo a hematologista Karine Amaral, do Ministério da Saúde, a doença pode ser classificada, de acordo com a faixa etária acometida, como infantil ou adulta e, quanto ao tempo de evolução, como aguda ou crônica.

A apresentação clínica típica da doença é a ocorrência de sangramentos, em pacientes previamente saudáveis. Frequentemente, há história de processo infeccioso viral nas semanas anteriores ao início do quadro.

Os sangramentos incluem pequenas manchas roxas (chamadas de petéquias), equimoses (manchas maiores) e sangramento mucoso (gengival, nasal, do trato urinário e digestivo). O tratamento com medicamentos tem por objetivo controlar precocemente os sintomas e reduzir o risco de sangramentos graves.

Entenda melhor

:: O que é
Doença sanguínea autoimune, que se caracteriza pela destruição das plaquetas, células produzidas na medula óssea e ligadas ao processo de coagulação inicial do sangue.

:: Sintomas
Os sintomas surgem quando a queda do número de plaquetas compromete o processo de coagulação do sangue a ponto de provocar sangramentos. Os mais típicos são os sangramentos que se localizam na pele ou nas mucosas sob a forma de petequeias (manchas puntiformes) ou equimoses (manchas maiores).

Podem ocorrer também sangramentos nasais (epistaxes), nas gengivas, gastrintestinais e no trato urinário. A ocorrência de edemas, dor nas pernas e hemorragias menstruais são mais difíceis de controlar. A intensidade dos sintomas varia muito de um paciente para outro. Em alguns casos, eles podem ser assintomáticos e dispensam tratamento.

:: Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se no exame clínico e no resultado do hemograma. Uma vez constatado que o número de plaquetas está baixo, é de suma importância fazer o diagnóstico diferencial, porque doenças como AIDS, lúpus, leucemias e certas infecções virais também provocam queda no número de plaquetas.

:: Tratamento
Na infância, pode ocorrer remissão espontânea da doença, o que raramente acontece na vida adulta. O tratamento com corticoides por via oral visa controlar os sintomas e provocar aumento gradual das plaquetas no sangue. O risco de sangramento diminui consideravelmente, quando a contagem das plaquetas atinge 50 mil.

Por causa dos efeitos colaterais adversos, o medicamento deve ser retirado aos poucos ou reduzido a doses mínimas o mais depressa possível. Doses altas de imunoglobulina por via intravenosa são úteis para conter os sangramentos agudos e elevar a contagem de plaquetas.

Como grande parte da produção de autoanticorpos e destruição das plaquetas ocorre no baço, em algumas situações, a remoção cirúrgica desse órgão (esplenectomia) pode estar indicada.

:: Recomendações
Sangramentos provocados pela baixa contagem de plaquetas são facilmente visíveis sob a pele ou mucosas. A presença inexplicável de pequenos pontos ou de manchas arroxeadas espalhadas pelo corpo deve ser um sinal de alerta. Em geral, a PTI tem bom prognóstico, desde que devidamente tratada.

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