Terapeuta Virtual
Psicólogas abrem este espaço para tirar as dúvidas sobre tudo o que envolve a vida em casa, desde a educação dos filhos até os problemas entre casais.
Luto (2 perguntas)

É uma situação densa e precisa muita paciência para lidar com essas dores, a tua e a do teu filho. Claro que cada um tem uma forma de encarar a dor da perda, essas manifestações dele contigo é uma delas. Precisa ir conversando com ele. Também pode recorrer a outros familiares e amigos próximos para que não fiquem somente vocês dois e com a sensação de isolamento do mundo. O processo do luto pode ser doído e, a longo prazo irão se refazendo, apesar da saudade, de ambos.

Ao ler sua pergunta, lembrei de um ditado popular: Morto e Enterrado. Penso que não serve para bem lidarmos com a morte. Nossos sentimentos estão sempre vivos, mesmo em relação aos mortos, precisamos é deixar que eles estejam em lugar tranquilo, não nos fazendo sofrer demais. Uma morte assim, pai e esposo jovem, provoca muitas mudanças na família, onde ficam três mulheres tendo que se refazer e rearranjar algumas funções para seguirem. E na pureza da dor de uma criança, a tua irmã no caso, nos sensibilizamos bastante.
As dores se misturam entre todos envolvidos, a sua também. Nesse momento de fragilidade, a vida ainda pede que ajude alguém, que supõe estar sofrendo mais que você. A morte de um familiar assim tão próximo faz as famílias se movimentarem e se darem conta de que a vida mudou. É preciso sim respeitar o tempo de cada um, a forma de cada um se refazer da perda, mas isso não inclui não falar sobre o ente querido. Ele será sempre lembrado e isso faz parte do luto. É necessário muito afeto com tua irmã, que também te fará bem, falar sobre o assunto na casa, deixar que ela saiba que estão sofrendo também e sentem saudades. Isso não é feio, vergonhoso ou diz de quem não é forte. Ela deve estar frequentando a escola e vocês precisam acompanhar como está esta situação, pois muitas vezes aparecem alguns efeitos nessa convivência com outras pessoas. Para cada um a morte tem uma cara, e para as crianças talvez a cara seja mais estranha ainda.

· Psicóloga · Especialista em Psicologia na Comunicação
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