Julgamento em Palhoça18/07/2013 | 09h51Atualizada em 18/07/2013 | 10h31

Começa o julgamento dos três acusados do triplo homicídio em Palhoça

Suspeitos são julgados pelo assassinato de pai e dois filhos com golpes de pé de cabra em 2012

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Começa o julgamento dos três acusados do triplo homicídio em Palhoça reprodução/reprodução
Gean e Victor, então com 9 e 5 anos, respectivamentes, foram mortos em janeiro de 2012 Foto: reprodução / reprodução

Os três acusados de assassinar com golpes de pé de cabra o pedreiro Gelson Aparecido de Souza e os dois filhos, Gean e Victor, em janeiro de 2012, começaram a ser julgados na manhã desta quinta-feira no Fórum da Comarca de Palhoça. No início da sessão, a juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta avisou que o julgamento poderá durar até dois dias. Três homens e quatro mulheres compõem o júri popular.

Rogério Vas de Souza, Everaldo Rosa Nunes e Jeferson Nunes são suspeitos de homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores (pelo envolvimento de três adolescentes) e furto. O crime teria sido motivado por uma câmera de segurança, instalada na residência de Gelson, e que teria atrapalhado os "negócios" de Everaldo, conhecido como Lalau, traficante de drogas no Bairro Bom Viver, em São José.

— Meu irmão só vai descansar em paz depois da condenação — afirmou o irmão mais velho, Geso.

Os três chegaram ao Fórum por volta das 9h30, com escolta da Polícia Militar. A juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta deu início, em seguida, ao procedimento de sorteio dos sete jurados que devem auxiliar na decisão.

Após uma pausa para que os jurados pudessem comunicar aos familiares que foram sorteados, o médico perito do IML responsável pelo exame de corpo e delito de Rogério Vas de Souza foi chamado para integrar a defesa do acusado. Segundo os advogados de Rogério, os exames demonstrariam que ele tenha sido agredido pela polícia e coagido a confessar o crime.

O depoimento durou cerca de 20 minutos, e a conclusão da testemunha foi de que não seria possível definir se os machucados encontrados no réu classificariam tortura, e nem há quanto tempo teriam acontecido.

Em seguida, o delegado Attílio Guaspari Filho, responsável pelo inquérito, foi chamado para ser a primeira testemunha de acusação.


Entenda o julgamento:

O Julgamento
- Rogério Vas da Silva, Everaldo Rosa Nunes e Jeferson Nunes serão julgados hoje, às 9h, no Fórum da Comarca de Palhoça _ Rua Vereador Bernardino M Machado, na Praia de Fora _, acusados por homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores e furto (somente Rogério Vas da Silva), na morte do pedreiro Gelson Aparecido de Souza e dos filhos Gean e Victor.

O crime - Gelson era pedreiro e trabalhava como mestre de obras no galpão onde foi assassinado no segundo piso a golpes de pé de cabra, às 11h do dia 9 de janeiro de 2012, na área industrial do Bairro Bela Vista, em Palhoça. Os dois meninos, um com 9 e outro com cinco anos, morreram em seguida, com a mesma ferramenta, no pátio inferior do galpão. O motivo teria sido uma câmera de segurança instalada na residência de Gelson, para controlar entrada e saída de clientes do salão da esposa, e que estaria atrapalhando os "negócios" de Everaldo Rosa Nunes, traficante do Bairro Bem Viver, em São José.

Gelson Aparecido de Souza, então com 32 anos, era o segundo de quatro irmãos, natural de Lages-SC, e morava no Bairro Morar Bem, em São José. Estava no terceiro casamento e era pai de Gean, 9, e Victor, 5, ambos mortos minutos depois, no mesmo local. Era tido como uma pessoa honesta, trabalhadora e prestativo para ajudar os demais. "Vivia pelos dois filhos", disse o irmão mais velho, Geso Aparecido.

Gean Victor dos Santos de Souza e Victor Henrique Pereira, filhos de Gelson com mães diferentes, estavam sob os cuidados do pai durante as férias escolares. Brincavam próximo ao galpão, a espera do almoço, quando foram atacados por Rogério Vas da Silva, ajudado por um adolescente. Na confissão, após ter sido detido no dia 13 de janeiro de 2012, o assassino teria justificado a morte dos dois garotos para não ser reconhecido mais tarde.

Rogério Vas da Silva, 22 anos, teria recebido R$ 350,00 de Everaldo Rosa Nunes, o Lalau, para ajudar a matar o pedreiro Gelson e os dois filhos. Enquanto Everaldo Rosa Nunes, Jeferson Nunes e mais dois adolescentes davam fim a vida de Gelson, no segundo andar do galpão, Rogério matou os dois garotos, com a ajuda de mais um adolescente. Em seguida, subiu até o segundo andar, onde teria furtado a carteira e o celular da vítima. Se condenado, pode pegar, no mínimo, 12 anos de prisão.

Everaldo Rosa Nunes, o Lalau, 32 anos, tinha passagens por tráfico de drogas e outros crimes e era vizinho da vítima. A ideia de matar Gelson teria partido de Lalau, segundo inquérito policial. Reconhecido por venda de drogas no Bairro Morar Bem, em São José, ficou incomodado pelo fato de Gelson ter colocado uma câmera de segurança na entrada de casa. "Estaria atrapalhando os negócios". Depois de ter feito uma ameaça e o pedreiro ter se negado a retirar o aparelho _ utilizado para controlar entrada e saída de clientes do salão de Lenice dos Santos, 31 anos _ planejou o assassinato. Pode pegar mais de 12 anos de prisão.

Jeferson Nunes, 22 anos, era servente de pedreiro e participou diretamente da morte de Gelson, no andar superior do galpão. Por homicídio triplamente qualificado e corrupção de menores, pode pegar, no mínimo, 12 anos, caso seja condenado hoje.

Juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta - Vai ser responsável pela sentença ou absolvição dos acusados.

Júri - Sete jurados serão sorteados a partir de 25 intimados pela Justiça.

Testemunhas - Serão 13 testemunhas a serem ouvidas, sendo 4 de acusação e 9 de defesa.

Acusação - Será representado pelo promotor Alexandre Carrinho Muniz, da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Palhoça. A denúncia do Ministério Público foi apresentada no dia 22 de fevereiro de 2012 à partir de inquérito policial contra os três réus e mais três adolescentes, que foram sentenciados em 1º Grau em 29 de fevereiro do ano passado.

Defesa - O advogado Celso Souza Lins vai representar Rogério Vas da Silva e tem como estratégia, baseado em depoimento do acusado, de que ele teria sido forçado a confessar o crime. Ele alega também não estar no local no momento do crime. No caso de Everaldo e Jeferson, o advogado Marcelo Madeira Cunha defende que ambos não estavam no local do crime e não quis dar mais detalhes.

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