Revolta após paralisação01/02/2013 | 22h42Atualizada em 02/02/2013 | 00h02

Manifestantes interditam a Avenida Paulo Fontes, na Capital, em protesto à paralisação dos ônibus

Fechamento dos terminais ocorreu pontualmente às 22h e veículos saíram escoltados

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Manifestantes interditam a Avenida Paulo Fontes, na Capital, em protesto à paralisação dos ônibus Cristiano Estrela/Agencia RBS
Usuários do transporte coletivo protestam em frente ao Ticen Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS
* com informações de Marcone Tavella
Os últimos ônibus a sair do Terminal de Integração do Centro (Ticen), em Florianópolis, às 22h desta sexta-feira, receberam escolta da Polícia Militar para garantir a segurança de passageiros e dos funcionários das empresas de transporte coletivo. A reação foi um princípio de confusão, com manifestantes que se sentaram sobre a faixa de pedestres.  Toda a ação levou cerca de 30 minutos.

Próximo ao Ticen, o bloco Berbigão do Boca, que abre o Carnaval na cidade, reunia centenas de pessoas. Os primeiros a perceberem que os veículos haviam deixado o terminal e os seguranças fechavam o acesso, começaram a protestar, inclusive interditando parcialmente a Avenida Paulo Fontes. No local, as pessoas que haviam sido surpreendidas com o fechamento questionavam-se como resolver a volta para casa.

— Pedem para a gente não vir de carro por causa da lei seca, mas não têm ônibus para voltar para casa —, desabafou o estudante Leandro Pesato, de 21 anos.

Por conta da falta de ônibus a partir das 22h, muitos atravessaram a ponte Colombo Salles e o túnel Antonieta de Barros a pé. Além disso, uma fila de mais de 30 pessoas se formou na rua Francisco Tolentino, no Centro da Capital, para pegar táxi. As pessoas, que esperavam ir para casa de ônibus, reclamavam do alto valor que teriam de desembolsar para tomar um táxi, em comparação com o preço da passagem do transporte coletivo.

 
Sem ônibus, pessoas faziam fila para pegar táxi
Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

A medida de fechar os terminais e recolher os ônibus partiu do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo de Florianópolis (Sintraturb), que justificou como sendo necessária para garantir a segurança dos trabalhadores, evitando repetir o pânico registrado em novembro do ano passado.

Um ônibus com cerca de 20 policiais militares acompanhava o movimento, enquanto os primeiros manifestantes tentavam interromper o trânsito e fechar a avenida de acesso ao Ticen.

De acordo com o comandante do 4º Batalhão da PM, o tenente-coronel Araújo Gomes, um esquema de reforço na segurança do Ticen deve permanecer até o reinício das viagens dos ônibus, no sábado.

Relembre os ataques mais recentes:



Os ataques recomeçaram às 22h de quarta-feira, em Balneário Camboriú, também com um ônibus como alvo. Dois homens armados renderam o motorista, na Rua Dom Henrique, e atearam fogo ao veículo. Os bandidos usavam máscaras do filme Pânico. Um suspeito foi baleado, mas fugiu. O outro foi preso.

Uma hora depois, um ônibus da empresa Rodovel foi incendiado no Bairro Bela Vista, em Gaspar. Vinte minutos depois, no Bairro Figueira, outro veículo foi alvo dos criminosos.

Quase no mesmo horário, em Itajaí, um bar e mercearia localizado no Bairro Cordeiros, em Itajaí, também pode ter sido alvo. De acordo com testemunhas, garotos de bicicleta passaram pelo local na noite de quarta-feira, jogaram garrafas pet com gasolina e depois atearam fogo.

Confira o mapa das ações criminosas desde quarta-feira:


Visualizar Atentados em SC - 2013 em um mapa maior

Ainda em Itajaí, uma viatura da Coordenadoria de Trânsito da prefeitura foi incendiado por volta de 1h30min. O veículo estava no pátio da Secretaria Municipal de Segurança, na Rua Blumenau, quando alguém passou de carro e jogou um coquetel molotov.



Segunda noite de ataques

A delegacia de Camboriú foi atacada e o local isolado depois que uma granada caseira, feita com cano de PVC, foi arremessada. O objeto, que não chegou a explodir, foi encontrado em frente ao muro da delegacia. O fato ocorreu por volta das 23h30.

Cerca de uma hora antes, o incêndio criminoso de um ônibus no Bairro João Paulo, às 22h30min de quinta-feira colocou Florianópolis no cenário da retomada dos atentados terroristas em Santa Catarina. Dois rapazes fugiram em uma moto. Suspeitos de terem participado do crime foram detidos ainda durante a madrugada pela PM. Um deles tinha 23 anos e o outro era um menor, de 17 anos.



::: Confira a galeria de fotos dos atentados em Santa Catarina

Passava das 23h30 quando dois ônibus foram atacados em Palhoça. Um deles era da APAE de Balneário Camboriú que aguardava adesivagem e teve os pneus queimados. O outro, um veículo de turismo, foi queimado próximo a garagem da empresa Jotur.

No Norte da Ilha, dois ônibus da empresa Canasvieiras também foram incendiados por volta de 23h40min. Um atentado aconteceu na estrada Dário Manoel Cardoso, na praia dos Ingleses — onde um rapaz sofreu queimaduras de segundo grau — e outro foi na Rodovia João Gualberto Soares, na localidade do Canto do Lamim. O rapaz de 19 anos foi levado para o Hospital Celso Ramos em estado grave.



A madrugada de ataques terminou por volta das 5h quando uma base da Polícia Militar, em Canasvieiras, foi incendiada. De acordo com testemunhas, quatro rapazes teriam praticado o crime.

Órgãos de Segurança Pública passaram a sexta-feira em reuniões para tentar controlar a nova onda de atentados. As empresas de ônibus reduziram algumas linhas.

Transferências de líderes da facção pode estar por trás da série de ataques. O Comando Geral da Polícia Militar nega qualquer relação com ocorrido em novembro de 2012 ou com o PGC.

Clima de tensão na Capital

Pela Avenida Beira-Mar Norte, a principal da Capital, veículos com sirene aberta passavam de um lado a outro, a toda velocidade, com giroflex acionados. O voo do helicóptero por sobre os prédios também compunha o cenário que confirmava o reinício da onda de ataques do crime organizado.



Uma das barreiras foi montada
na Avenida Mauro Ramos
Foto: Cristiano Estrela/Agência RBS

Em pelo menos quatro pontos da cidade havia fiscalização militar na Capital na madrugada de sexta-feira. Embora não admitam que é uma estrategia para responder mais rapidamente a atentados em Florianópolis, os PMs realizaram, quatro barreiras na cidade, na ponte Pedro Ivo Campos, na Prainha, no bairro Agronômica e na Avenida Mauro Ramos. 

Prisões

Até as 21h desta sexta-feira, pelo menos 11 pessoas foram detidas, suspeitas de envolvimento nos ataques. Destes, sete são menores de idade. No celular de um dos presos foi encontrada uma mensagem que autorizava os atentados.

Transporte público

Em uma reunião na tarde desta sexta, Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis) e Polícia Militar decidiram que, por medida de segurança, os ônibus devem circular normalmente só até às 19h30 desta sexta-feira. Depois deste horário, apenas algumas linhas devem cumprir seus itinerários com escolta policial. No sábado e no domingo, o esquema continua e os ônibus devem circular até às 21h.

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Comentar esta matéria Comentários (1)

wallace

É um absurdo uma medida desta. Deixar o coitado do trabalhador sem opção de retorno para casa. Basta colocar um militar em cada ônibus no retorno, até as 00:00 pelo menos. Não precisa este circo de viatura com giroflex. Esta categoria de motorista/cobrador já não gosta de trabalhar. Ainda mais agora

02/02/2013 | 13h51 Denunciar

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