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Protesto por 24 horas24/04/2012 | 17h38

Médicos suspendem atendimento a pacientes de plano de saúde em 12 Estados nesta quarta

No Rio Grande do Sul, categoria promove ato público na Santa Casa de Porto Alegre

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Médicos credenciados em operadoras de planos de saúde vão interromper nesta quarta-feira, por um período de 24 horas, as consultas e outros procedimentos eletivos em dez estados — Acre, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe.

Além desses, haverá paralisação na Paraíba, com suspensão do atendimento apenas pela manhã, e no Piauí, onde a ação deve durar 72 horas.

Os atos marcam o Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde. Nos demais estados, estão previstas manifestações, entre elas uma passeata na Avenida Paulista, em São Paulo; protestos em frente à sede da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), no Rio de Janeiro; e panfletagem para esclarecimentos na rodoviária de Brasília.

Os médicos gaúchos realizam dois atos de mobilização nesta quarta-feira. Apesar do descontentamento, a categoria não vai aderir à paralisação nacional de 24 horas. Optou por ações de esclarecimento e busca de apoio entre os usuários.

A primeira manifestação ocorrerá às 9h30min, no Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). Às 11h, farão um ato público no anfiteatro Hugo Gerdau, no Complexo da Santa Casa de Misericórdia. A pauta são os honorários e a desvalorização de especialistas, mas os médicos também querem denunciar problemas de atendimento. A direção do Simers aponta que certos planos de saúde demoram na marcação de consultas e cirurgias, além de complicar na autorização de procedimentos, para economizar e elevar os lucros.

A paralisação vai prejudicar boa parte da população brasileira, já afetada pela falta de qualidade dos planos de saúde. Em coletiva à imprensa, o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Aloísio Tibiriçá, estimou que 47 milhões de brasileiros utilizam algum tipo de plano de saúde, o que representa um total de 25% da população.

Em termos de valores, os planos são responsáveis por cerca de 55% de tudo o que é gasto com saúde no país, segundo o CFM.

— Com um financiamento desses, era para estar tudo melhor — disse Tibiriçá.

— Mas essa não é a percepção dos consumidores e dos médicos — completou.

De acordo com o diretor da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Márcio Bichara, em torno de 1,2 milhão de pessoas contrataram um plano de saúde entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011.

— O país está crescendo, a economia está crescendo e, cada vez mais, é um anseio da população ter um plano de saúde. Mas esse plano tem que ser digno, porque ele não é barato — disse.

— O usuário está sendo enganado quando compra o plano, porque não tem uma rede adequada para o seu atendimento — concluiu.

Segundo o CFM, o crescimento no acesso aos planos de saúde não veio acompanhado do aumento no número de médicos, leitos e hospitais credenciados. A situação, de acordo com Aloísio Tibiriçá, faz com que o tempo médio de espera para uma simples consulta chegue a três semanas.

— Insatisfeitos com os honorários, os médicos estão selecionando ou deixando os planos de saúde. É menos gente ainda para atender — destacou.

Uma proposta de negociação oficial será apresentada amanhã pela categoria à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Entre os principais itens estão reajuste anual, multa para atraso no pagamento dos profissionais de saúde e abertura para negociação com entidades médicas.

O diretor da Associação Médica de Brasileiro (AMB), José Luiz Mestrinho, avaliou que o Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde pode estar se tornando uma realidade repetitiva, já que chegou a acontecer duas vezes no ano passado.

— Fica parecendo que estamos criando essa situação — avaliou.

Segundo Mestrinho, ainda nesta terça-feira, serão acesas 600 velas em frente ao Congresso Nacional, representando os cerca de 600 mil compradores de planos de saúde em todo o país.

— O grande penalizado de toda essa brincadeira é o paciente. Nós ficamos pisando em ovos para evitar que essa situação se desgaste.

ste.

Comentar esta matéria Comentários (2)

Gabriel

"cada vez mais, é um anseio da população ter um plano de saúde"? Espero que além de mim existam outros que ainda acreditam no potencial no SUS. Teria menos preocupações com planos de saúde se o SUS ficasse com esses "55 %" - e não tivesse médicos corruptos. Desculpe, estava sonhando...

25/04/2012 | 16h24 Denunciar

Adelaide

Ter um plano de saúde não é barato, aliás, se colocar na ponta do lápis, o custo benefício , não compensa.Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

24/04/2012 | 19h18 Denunciar

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