Todos os dias, idosos reúnem-se à beira-mar para encontrar os amigos e jogar bocha nas canchas instaladas nas areias da Praia Central, Balneário Camboriú. O esporte é defendido pelos fiéis praticantes, membros de associações que administram os espaços, como uma forma de manter a saúde do corpo e da mente. O uso de área pública para diversão particular, porém, tem gerado polêmica. Embora as associações recebam recomendação para liberar a prática a quem não faz parte do grupo, na prática, moradores e turistas sentem dificuldade para se candidatar a uma partida.
Embora garanta que há boa vontade por parte das associações em receber jogadores de fora, o presidente da Liga Independente de Bocha de Areia de Balneário Camboriú, Vânio João Largura, reconhece que o impedimento pode ocorrer:
— É difícil, mas pode acontecer. Nas reuniões da liga, sempre é colocado que o turista tem que ser convidado pra jogar, mas sempre há pessoas que não são tão maleáveis.
O que provoca o desentendimento é o fato dos associados pagarem mensalidade para usar as canchas. O valor, segundo Largura, é cobrado para garantir a manutenção dos espaços e equipamentos — que é feita pelas associações. Os grupos, alguns com mais de 20 anos, possuem estatutos e elencam regras para os jogadores. Na maioria, não são permitidas crianças, pessoas alcoolizadas ou em trajes de banho.
— As canchas estão ali há anos. Desde que ninguém seja impedido de jogar, se permite, porque traz mais benefícios do que malefícios. Só fiscalizamos para que, quem queira, possa usar — explica o procurador do município, Marcelo Freitas.
As reclamações são encaminhadas à Fundação Municipal de Esportes, que faz o intermédio com as associações. Há cerca de um ano, segundo ele, a prefeitura não recebe queixas formais.
Mas, segundo o aposentado Edison Espíndola, morador de Balneário Camboriú há 10 anos, a prática de impedir os não associados de jogar é comum. Ele chegou a ser sócio de uma das canchas, mas desistiu porque discorda da política adotada pelas associações.
— Quem é de fora precisa pedir, implorar para jogar. Vi muitas vezes não deixarem pessoas de fora entrarem. Penso que é um absurdo ter que ser sócio, quando se trata de um espaço público — diz.









