Atraso para entrega de encomendas, defeitos de fabricação, problemas com seguros e pacotes bancários e demora para o atendimento de assistências técnicas foram as principais queixas do Procon de Joinville em 2011.
Elencadas na categoria produtos, as reclamações foram o motivo de 2.241 processos abertos pela entidade em 2011, superando pelo segundo ano consecutivo as denúncias de prestações de serviços e de telefonia.
PDF: confira o ranking das reclamações
O coordenador do Procon da cidade, Jorge Nemer, diz que o aumento se explica, principalmente por causa das assistências técnicas de telefonia móvel.
— É comum que essas empresas não respeitem o prazo de 30 dias para consertar o aparelho —, afirma.
Os consumidores joinvilenses também estão reclamando mais de erros em contratos bancários, de escolas e cursos. Foram 1.431 queixas relativas ao quesito prestação de serviços em 2011, quase cem a mais do que em 2010. Já as reclamações contra operadoras de telefonia vêm apresentando diminuição nos dois últimos anos, caindo de 998 denúncias em 2010, para 566 no ano passado, queda de 43,2%.
Segundo Nemer, a diminuição das reclamações de telefonia ocorreram por causa das melhorias no atendimento.
— Após a pressão feita pelo Procon e pelos consumidores, as empresas estão entendendo que precisam melhorar. Hoje, boa parte dos clientes só nos procura quando já esgotaram todas as possibilidades de solução com a empresa —, analisa.
O especialista em direitos do consumidor Luiz Fernando Harger, diz que é importante que o consumidor insista em resolver o problema por meio de vias administrativas antes de procurar a Justiça. Para ele, é importante reunir provas e documentos.
— O consumidor tem que tentar uma solução amigável e muitas empresas estão mais atentas à isso. Caso, ainda assim, não consiga resolver, deve procurar o Procon e os juizados especiais cíveis.
Problemas nas compras por impulso
Para o professor do curso de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor do livro “Direito do Consumidor e Publicidade Clandestina”, Fabiano Del Masso, muitos dos problemas que ocorrem entre clientes e empresas podem ser prevenidos.
Para isto, basta que haja mais paciência e calma na hora de fazer uma compra. O especialista cita inúmeros casos de erros em contratos de financiamento e de crédito como um exemplo do que pode acontecer se o consumidor não estiver atento.
— Os bancos não facilitam para o cliente, pedem que ele responda rápido, que ele assine logo o contrato, colocam o documento com letras pequenas. Boa parte dos consumidores ignora isso, assina contratos sem saber exatamente o que está prometendo, e depois se sente ludibriado e vai procurar o Procon ou a Justiça —, explica o professor Del Masso.
A coordenadora institucional da Associação Brasileira de Direito do Consumidor, Maria Inês Dolci, acredita que mais do que conter a ansiedade, é fundamental que o consumidor esteja interessado em conhecer seus direitos e obrigações, não apenas somente quando ele se sentir lesado.
— Uma coisa que muita gente desconhece, por exemplo, é que é possível solicitar as gravações de telefonemas feitos para Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs) de empresas —, recorda.









