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Aumento na violência08/02/2012 | 19h32

Mais de 130 pessoas já foram assassinadas na região de Salvador desde o início da greve

Média é de 15 assassinatos por dia, mais que o dobro do índice do ano passado

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Mais de 130 pessoas já foram assassinadas na região de Salvador desde o início da greve Raul Spinassé/Agência A Tarde/AE
No nono dia da greve, policiais continuam abrigados na Assembleia Legislativa da Bahia Foto: Raul Spinassé / Agência A Tarde/AE


A Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) registra pelo menos 134 mortes em Salvador e nos municípios próximos à capital baiana desde o início da greve. O dado contabiliza crimes ocorridos desde o primeiro dia do movimento, 31 de janeiro, até às 19h desta quarta-feira.

Também foi registrado aumento no número de roubos, saques, tiroteios e incêndios de veículos e lojas. A média é de 15 assassinatos por dia, mais que o dobro da média de 2011 (6,2).

Oito moradores de rua foram assassinados no mesmo dia, na sexta-feira passada, entre eles uma mulher que amamentava seu bebê de sete meses em uma praça do centro de Salvador.

— Aproveitam este momento de greve para cometer assassinatos porque sabem que não há policiais na rua. Há mais assassinatos, saques, tudo acontece por causa da falta de vigilância. A cidade está praticamente parada — lamenta C Crispina Monteiro de Santos, que teve um sobrinho assassinato.

— Suspeitamos que foi um problema com o tráfico de drogas, ninguém viu nada. Quando chegamos já estava morto —conta Crispina.

O jovem sobrinho dela, Marcos Vinicius Santos, 22 anos foi baleado na segunda-feira à noite, segundo a mãe, que preferiu não revelar seu nome.

— Você sabe como está a coisa na Bahia, em Salvador, a violência está demais desde que começou a greve da Polícia Militar há mais de uma semana, que ainda não dá sinais de acabar — disse ela.

— A quantidade de mortos aumentou muito depois da greve — concorda Adilson Franca, que trabalha para funerárias há oito anos.

— É um absurdo, isso é absurdo — repete ali perto uma mulher desesperada, coberta de lágrimas. Esta mulher, que pediu anonimato, tenta explicar a morte de seu ente querido, que como os outros, morreu baleado.

— Não sei explicar o que aconteceu. Só sei que está nesse carro — disse inconsolável apontando para uma das muitas caminhonetes estacionadas em frente ao prédio. — Era uma pessoa tranquila, uma pessoa trabalhadora — comentam as pessoas que a acompanham, consolando-a.

— Ia fazer 33 anos dia 29 de março — balbucia, enquanto tira da bolsa um pacote com uma roupa nova para vestir o cadáver antes do serviço funerário.

Na sala de espera do necrotério, impregnada por um forte cheiro de formol, outros familiares esperam a ordem de liberação dos corpos que os médicos legistas emitem, enquanto trabalham sem parar na frente dos computadores. Entre abraços, pranto e resignação as horas passam no Instituto de Medicina Legal de Salvador. Por alguns momentos, o silêncio se apodera de suas macabras e descoloridas paredes cheias de infiltrações, com caixões amontoados pelos cantos e algumas lâmpadas queimadas.

Até que o barulho da porta metálica e o som das rodas de uma caminhonete rompem o silêncio: é um funcionário com outro morto indo embora.

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