Versão mobile

01/04/2011 | 18h07

Antecipada em duas semanas, colheita do pinhão começa na Serra de Santa Catarina

A produção estadual da semente gira em torno de 10 mil toneladas por ano

Enviar para um amigo
Antecipada em duas semanas, colheita do pinhão começa na Serra de Santa Catarina Vani Boza/Agencia RBS
Ezequiel Oliveira da Silva, 29, colhe pinhão na fazenda onde vive no interior de Painel Foto: Vani Boza / Agencia RBS

Estão liberadas desde esta sexta-feira a colheita, a comercialização e o consumo de um dos alimentos preferidos dos catarinenses no inverno. O pinhão das araucárias ainda não engloba uma categoria profissional organizada, mas garante o sustento de muitas famílias na Serra. E é por isso que a atenção a esta cultura e aos seus produtores é cada vez maior.

Até o ano passado, tocar no pinhão só era permitido a partir do dia 15 de abril, conforme norma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). A regra havia sido estabelecida em 1976 com o objetivo de preservar a espécie e garantir parte da produção para os animais silvestres. Mas devido à mobilização dos produtores catarinenses, já que em muitos lugares o pinhão amadurece até um mês antes, o prazo foi antecipado para 1º de abril por uma lei estadual.

Ao contrário das culturas tradicionais, na do pinhão não existem números oficiais sobre a produção. Estima-se que 12 mil famílias colhem pinhão na Serra Catarinense. Destas, cerca de 30% têm a atividade como principal fonte de renda. A produção estadual gira em torno de 10 mil toneladas por ano, sendo quase a metade só nos vizinhos municípios de Painel e Urupema, onde há araucárias em praticamente 100% do território.

A expectativa é de que na atual safra os números sejam parecidos, bem como os preços pagos aos produtores, que no ano passado oscilaram entre R$ 1 e R$ 2 o quilo. Já para o consumidor, os valores variam entre os pontos de venda, podendo chegar a R$ 5 o quilo.

Antonio Lemos da Silva, de 63 anos, e o filho Ezequiel Oliveira da Silva, 29, colhem pinhão na fazenda onde vivem, no interior do município de Painel. Na safra passada eles venderam três toneladas e ganharam aproximadamente R$ 3 mil. Agora, esperam repetir o lucro.

— O pinhão não tem custo nenhum para nós. É só subir na araucária, tirar e vender — diz Antônio da Silva.

Profissionalização

Só que mesmo com todos estes benefícios, a cultura do pinhão poderia ser bem mais favorável ao produtor. Como não existem informações oficiais e nem se sabe ao certo o comportamento das araucárias entre uma safra e outra, agrônomos do Projeto Kayuvá, numa parceria entre o Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc (CAV), em Lages, e o Instituto Pereté, monitoram desde o ano passado 120 exemplares para obter dados como solo, tamanho, quantidade e peso das pinhas, o que pode explicar a alternância de produção das árvores.

Com isso, pretende-se profissionalizar a atividade, certificando e agregando valor ao pinhão. O manejo correto também entra na pauta, com cursos sobre como subir nas araucárias com segurança utilizando equipamentos de rapel. Tem também um projeto encaminhado à Assembleia Legislativa que pretende isentar o pinhão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Santa Catarina.

Assim, será possível criar uma cooperativa, por exemplo, com capacidade de armazenar pinhão em câmaras frias — sem depender dos chamados atravessadores —e abrir as portas para a exportação, uma vez que mercados do Japão e da Rússia já demonstraram interesse em adquirir a semente.

— Se agregar valor ao pinhão e organizar a venda, com certificação e responsabilidade social, o lucro do produtor pode aumentar 50% ou mais —, diz o professor João Fert Neto, do Departamento de Engenharia Florestal do CAV.

Sobre o pinhão

 - A colheita em Santa Catarina começa em 1º de abril e vai até o início do inverno
 - A produção do Estado gira em torno de 10 mil toneladas por ano
 - Os vizinhos municípios de Painel e Urupema, na Serra, respondem por praticamente a metade da produção estadual
 - Estima-se que 12 mil famílias colhem pinhão na Serra Catarinense. Destas, cerca de 30% têm a atividade como principal fonte de renda
 - Há 1,5 milhão de anos, as araucárias ocupavam um espaço de 200 mil quilômetros quadrados no Brasil, dos quais, 62 mil em Santa Catarina
 - Entre as décadas de 1940 e 1980, as araucárias foram derrubadas indiscriminadamente, com vistas ao crescimento do país. Hoje, os remanescentes não passam de 4% da área original.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga Diário Catarinense no Twitter

  • dconline

    dconline

    Diário CatarinenseApós levar dois tiros, ex-prefeita de Bocaina do Sul, na Serra catarinense, morre no hospital http://t.co/23nHsr4ruyhá 3 horas Retweet
  • dconline

    dconline

    Diário CatarinenseDomingo será de sol entre nuvens em todas as regiões de Santa Catarina http://t.co/Yucww1ViAyhá 5 horas Retweet
Diário Catarinense
Busca
clicRBS
Nova busca - outros