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08/12/2010 | 04h03

Prisão do fundador do WikiLeaks aumenta polêmica sobre revelação de segredos diplomáticos

Julian Assange é o responsável por levar a público documentos diplomáticos com a visão dos EUA sobre o mundo

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Prisão do fundador do WikiLeaks aumenta polêmica sobre revelação de segredos diplomáticos Kirsty Wigglesworth, AP/
Fotógrafos e fãs em frente ao tribunal para onde o criador do WikiLeaks foi levado após se apresentar voluntariamente à polícia ontem, em Londres Foto: Kirsty Wigglesworth, AP /
Está preso em Londres o homem que importuna os EUA a ponto de alguns o considerarem o inimigo número 2 do país, atrás apenas do terrorista Osama bin Laden. Julian Assange, australiano que tem em seu poder mais de 250 mil documentos diplomáticos com a visão dos EUA sobre o mundo e os leva a público na internet desde o dia 28, responderá por supostos crimes sexuais na Suécia, que pediu sua extradição. Enquanto vê provedores de internet e empresas essenciais para o WikiLeaks bloquearem serviços ao site, Assange é forte candidato a personalidade do ano, indicada tradicionalmente pela revista Time.

> Saiba quem é Julian Assange

Depois de sacudir as relações internacionais, ao revelar em seu site, o WikiLeaks, os segredos da diplomacia dos EUA, o australiano Julian Assange foi preso ontem na Grã-Bretanha – em um episódio que abre um debate sobre os limites da liberdade de informação e sobre as pressões dos governos.

Assange, 39 anos, é acusado de crimes supostamente cometidos na Suécia e sem qualquer relação com o vazamento – estupro, assédio e coerção –, mas há suspeitas de que as denúncias, na verdade, façam parte de uma dura campanha contra o site e seu fundador.

Centenas de jornalistas e alguns simpatizantes aguardavam em frente à delegacia de Londres onde o australiano se apresentou voluntariamente às 9h30min (7h30min pelo horário de Brasília). Em seguida, ele foi levado ao Tribunal de Westminster. Pelo menos três pessoas (o jornalista John Pilger, o cineasta Ken Loach e a socialite Jemima Khan) ofereceram até 20 mil libras (R$ 53 mil) para pagar sua fiança. Os advogados chegaram a reunir 100 mil libras (265 mil), mas o juiz Howard Riddle rejeitou o pedido, alegando ter fortes motivos para acreditar que o acusado não compareceria às próximas audiências.

Assim, o homem que importuna os EUA e líderes políticos em diversos pontos do mundo ficará detido pelo menos até 14 de dezembro. O WikiLeaks declarou que a prisão de seu mentor não afeta o site e preparava uma nova postagem de documentos na noite de ontem.

Frente ao juiz, Assange disse não concordar em ser interrogado na Suécia. Seus advogados temem que a extradição ao país motive uma segunda transferência, para os Estados Unidos, onde o WikiLeaks é investigado pelo Departamento de Justiça. A batalha legal pode durar meses – caso um juiz aprove a extradição, Assange poderá recorrer em instâncias mais elevadas.

Forte candidato a personalidade do ano

O dono do site mais controverso do momento liderava ontem a votação entre leitores da revista Time para escolher a personalidade de 2010, à frente de ícones como o presidente americano, Barack Obama – a decisão final será da revista.

>> Leia a reportagem completa na edição de Zero Hora desta quarta-feira

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