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29/10/2010 | 06h21

DC mostra como funciona a tornozeleira eletrônica usada por presos em Santa Catarina

Equipamentos controlam os detentos que estão em prisão domiciliar

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DC mostra como funciona a tornozeleira eletrônica usada por presos em Santa Catarina  Diego Redel/
No caso de Luciana, que trabalha em casa, a zona de circulação é dentro do seu condomínio Foto: Diego Redel
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Desde que começou a participar dos testes com as tornozeleiras eletrônicas, há duas semanas, Luciana (nome alterado), 33 anos, não tinha tirado os pés de casa. Afinal, conseguiu sair da penitenciária em Itajaí para vivenciar dois meses de prisão domiciliar.

Nesta quinta-feira, a moradora do bairro Serraria, em São José, aceitou o pedido do Diário Catarinense para simular o que ocorre quando o preso ultrapassa a chamada zona de inclusão. A saída foi autorizada e acompanhada por integrantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Ao descer do apartamento até a portaria do condomínio, Luciana percorreu cerca de 100 metros em dois minutos. Nos primeiros passos para fora do portão, o equipamento vibrou. É o primeiro alerta para o apenado saber que saiu de sua área de circulação permitida. Andou mais uns 50 metros, nem chegou na esquina e vibrou novamente.

A mulher ia em sentido a padaria, que fica menos de 300 metros de casa. Antes de chegar, começou a soar o alarme da tornozeleira. Todos na rua passaram a olhar para Luciana, que mal conseguiu chegar na frente do estabelecimento. Quando retornava ao apartamento, uma mensagem surgiu do rádio do equipamento.

— Volte para a sua zona de inclusão — dizia a voz do outro lado.

Luciana retornou para casa e contou como é conviver com a tornozeleira. Para ela, não há incômodos. Consegue tomar banho com o aparelho, que é à prova da água, e coloca para carregar à noite, na hora da novela. Em duas horas já está com a carga necessária para um dia de uso.

— Em casa posso ajudar meus dois filhos a fazer os deveres, além de trabalhar como manicure e tatuadora. Estou em um ambiente que é bom para mim, bem melhor do que na prisão, onde precisava estar alerta e tomar cuidado com tudo — diz Luciana, que já cumpriu cinco anos de detenção por assalto.

Nesta fase de testes, a mulher também levou alguns sustos. Duas vezes ocorreu do alarme do equipamento tocar de madrugada quando ela dormia no quarto da filha.

— Depois veio o aviso mandando eu retornar para minha área, mas não tinha saído de casa. Mas depois trocaram o aparelho — conta.

Primeiro fujão foi recapturado

As tornozeleiras eletrônicas também se mostram eficazes para recapturar os espertinhos que fogem do perímetro de circulação delimitado pela Justiça. Na madrugada da última terça-feira, um detento da semiliberdade de Criciúma saiu de casa e foi pego pela Polícia Militar em uma região de tráfico e prostituição. A tornozeleira ajudou na prisão.

O homem saiu do presídio na segunda-feira para o indulto de sete dias. Na terça seguinte, ele já foi para a área que estava proibido de frequentar. O coordenador do projeto piloto de monitoramento de Sentenciados, Julio Cesar Gonçalves, conta que o homem podia circular em toda a cidade durante o dia, mas na primeira noite saiu quatro vezes de casa e foi alertado pela central de monitoramento para retornar. Na última escapada, uma viatura foi encaminhada para recolhê-lo e levá-lo ao presídio.

Estado tem 28 aparelhos em testes

Os testes com as tornozeleiras eletrônicas são com 28 presos da semiliberdade e mulheres grávidas de sete municípios catarinenses. Mais 197 detentos devem participar do projeto, que segue até dezembro.

Três empresas cederam os equipamentos para a avaliação da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina. O objetivo é fazer um relatório pronto para facilitar a licitação e decidir qual a melhor escolha, que será feita pelo próximo governo.

O horário e a área em que o detento pode circular depende da decisão judicial, que passa a informação à Central de Monitoramento, em Florianópolis. No posto, uma equipe controla os passos dos presos usuários das tornozeleiras por meio de programas de rastreamento associados ao Google Maps. Alguns detentos podem ir até o local de trabalho.

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