Era sábado, 19 de junho de 2010. Ano de Copa do Mundo. Anoitecia e poucos torcedores assistiam a Imbituba x Figueirense, pela Copa Santa Catarina. Na torcida visitante, 30 alvinegros. O relógio marcava 17h42min quando eles tiveram a certeza de que valeu a pena ir até o Estádio Emília Rodrigues. Neste momento, Fernandes balançou a rede e se tornou o maior artilheiro da história do clube.
No cronômetro do jogo, 40 minutos do segundo tempo. O Figueirense vencia por 4 a 1 quando Fernandes tentou marcar, de cabeça. O goleiro defendeu. No rebote, a bola sobrou pra ele novamente. Dessa vez, ninguém conseguiu evitar. Estava marcado o gol de número 95 de Fernandes com a camisa alvinegra. Naquele momento, o camisa 10 atingia um feito que ninguém conseguiu em mais de 50 anos: ultrapassar Calico, autor de 94 gols pelo clube.
No lance, Júnior Negão estava na área e também saiu comemorando, após dar um toque na bola. Foi quando surgiu a dúvida: foi de Fernandes ou de Negão? O árbitro Jefferson Schmidt esclareceu:
— Foi do Fernandes. Ela (a bola) já tinha cruzado a linha — disse, ao explicar que Negão não interferiu no lance.
Pronto. Confirmado na súmula, o gol histórico estava computado. Foi o quinto do jogo e o Figueirense ainda fez mais um, esse sim de Júnior Negão. A vitória por 6 a 1 não foi suficiente para evitar a eliminação da Copinha, um dos lamentos de Fernandes em uma tarde que jamais será esquecida. O outro, o torcedor já imagina. Embora emocionado, o meia admitiu que preferia um Scarpelli lotado de testemunha. Agora, traçou nova meta: quer marcar lá o gol de número 100 com a camisa alvinegra. Alguém duvida?
Em entrevista, ele revela o que sentiu e garante: a história continua.
Diário Catarinense — Em 89 anos, ninguém fez mais gols pelo Figueirense do que você. Qual o sentimento de atingir essa marca?
Fernandes — Esperava muito por esse momento. Desde que fiquei sabendo dessa possibilidade, ano passado, coloquei isso como meta. Estou muito feliz em entrar definitivamente para história do Figueirense.
DC — Pena ter sido diante de um público tão pequeno, concorda?
Fernandes — Sim. Eu esperava esse momento dentro do Scarpelli, com o estádio cheio, mas o destino me colocou aqui em Imbituba para fazer esse gol. Estou muito feliz e agradeço a todos os jogadores que participaram diretamente e indiretamente de todos esses meus gols, a Deus, a minha família, e ao carinho e respeito que a torcida do Figueirense tem por mim desde 1999, quando cheguei, desde o primeiro gol. Dedico esses gols a minha família e principalmente a torcida do Figueirense, que sempre me apoiou.
DC — Como o Fernandes contaria ao torcedor que não pode ver como foi o gol histórico?
Fernandes — Foi até um gol chorado. O Juninho veio na linha de fundo e fez o cruzamento. Eu estava na segunda trave e consegui cabecear. O goleiro fez a defesa e, quase sem ângulo, consegui dar um toquinho de novo e fazer o gol.
DC — Calico foi soberano por mais de 50 anos. Agora vai ser difícil alcançá-lo...
Fernandes — (Risos). Espero que alguém possa conseguir porque o Figueirense vai estar ganhando com isso aí. Em 89 anos de muitas conquistas, estar encabeçando essa lista de maior artilheiro é um sonho que se tornou realidade em Imbituba. Estou emocionado, a alegria é imensa.
DC — Você fez uma promessa para o Albeneir (terceiro maior artilheiro da história) para quando chegar ao gol 100. Vai cumprir?
Fernandes — É verdade. Comentei que no dia que eu chegasse aos 100 gols daria a camisa para ele e, se fosse no Scarpelli, eu ia buscá-lo na arquibancada para comemorarmos juntos. Quem sabe isso não pode acontecer. Espero que eu possa chegar aos 100 gols e até ultrapassar essa marca. O Figueirense vai estar ganhando com isso também.










