De olho na universidade, pelo menos 150 alunos da Escola de Educação Básica Henrique Fontes, em Tubarão, no Sul do Estado, "abraçaram" o projeto Quem não lê, não aprende.
Aos poucos, eles vão se interessando pelo universo de informações que estão nos livros, revistas, gibis e páginas de internet para chegar mais afiado ao ensino superior.
O Quem não lê, não aprende surgiu em 1999 no curso de Administração da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Na época, o professor Nerio Amboni lamentou que a maioria dos trabalhos eram ricos em termos técnicos, mas sem uma boa redação. Em reunião com outros professores, decidiu lançar algum projeto porque, diz ele, "quem não lê, não aprende".
— E assim fi cou batizado o projeto, que até 2006 era limitado à universidade, depois se tornou extensão e a partir daí foi para as escolas incentivar a leitura dos alunos — diz uma das idealizadoras da atividade, Marilene da Rosa Lapolli, professora de Filosofia e Ética e Epistemologia.
Na prática, o projeto envolve um parceiro, geralmente uma empresa, que "adota" um grupo de alunos e o presenteia com um livro de um autor local. Foi assim que 150 estudantes do segundo ano do ensino médio da Henrique Fontes começaram a ler a ficção Navio Fantasma, de autoria do escritor tubaronense Alexandre Bitencourt. A obra que envolve História, Língua Portuguesa e Filosofia ganhou a atenção da estudante Priscila Alves, 15 anos.
— A história é bem legal. O projeto é muito interessante, pois o hábito da leitura ajudará muito no nosso futuro — diz a garota, que pretende cursar Direito na universidade.
O projeto já foi realizado na escola em 2008 e aos poucos começa a dar resultados. Ele incentiva os 150 alunos selecionados e os colegas deles a se interessar por revistas e livros.
— Nunca fui muito fã da leitura, mas adoro histórias em quadrinhos e agora estou gostando do Navio Fantasma — conta Luan Mendes, 16.
Projeto descobre pequenos escritores
Em 2007, o Quem não lê saiu da universidade para as escolas e a primeira experiência ocorreu em Içara, no Sul do Estado.
Uma indústria química local se tornou parceira do projeto e disponibilizou livros de vários gêneros para os estudantes, que no fim do ano estavam tão afinados com as obras e suas histórias que até lançaram um concurso literário.
Agora, a experiência será repetida em Tubarão. Uma papelaria, onde trabalham pais de alunos da Escola Henrique Fontes e até mesmo alguns estudantes, se tornou parceira do movimento, que deve resultar em uma publicação em alguns meses. A data exata não foi definida.
— O título é Quem não lê, não escreve — Inovação com Responsabilidade Social. É um relatório, quase um resumo, de toda a realização do projeto nos últimos três anos — ressalta a professora Marilene da Rosa Lapolli.
Como leitura puxa leitura, outros alunos também aderiram ao movimento, considerado um sucesso na região. Empolgado com o projeto, o professor Marcílio Alano também organizou atividades com literatura para descobrir pequenos escritores em uma turma da oitava série.










