Nova passagem29/04/2013 | 06h31

Grandiosidade da ponte estaiada de Laguna chama a atenção no Sul de SC

Cerca de mil operários e engenheiros - número que subirá para 1,6 mil em três meses

Grandiosidade da ponte estaiada de Laguna chama a atenção no Sul de SC Charles Guerra/Agencia RBS
Ponte está em construção no Sul do Estado Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Cerca de mil operários e engenheiros - número que subirá para 1,6 mil em três meses - trabalham quase 24 horas por dia para construir a ponte estaiada de Laguna, no Sul do Estado. Será a maior travessia da duplicação da BR-101 Sul. A grandiosidade da obra está por todos lados, desde os guindastes de 250 toneladas até o canteiro de 100 mil metros quadrados, onde foi erguida uma vila para 600  pessoas.


A movimentação de balsas carregadas de caminhões-betoneira sobre as águas do Canal de Laranjeiras impressiona e dá dimensão da grandiosidade da obra de construção da ponte estaiada de Laguna. Os veículos levam concreto para as fundações, que estão sendo fincadas na lagoa _ e já podem ser vistas _ com o auxílio de guindastes de 250 toneladas. Tudo é macro para erguer a maior travessia da duplicação da BR-101 no Sul do país.

A construção da nova passagem começou depois que a presidente Dilma Rousseff esteve na cidade e assinou a ordem de início das obras em maio do ano passado. Estão sendo construídas as fundações submersas e os pilares que darão suporte à laje.

Os operários trabalham em ritmo acelerado para concretizar o projeto que tende a desafogar um dos trechos mais congestionados da rodovia. A obra recebe trabalhadores principalmente do Nordeste, já que falta mão de obra para empreendimentos deste porte na região.

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Só o canteiro de obras precisou de uma área de 100 mil metros quadrados. É lá que fica o abrigo da vila operária, com as casas azuis com capacidade para 638 funcionários. O serviço ocupa quase todas as 24 horas do dia. Às 7h30min começa o expediente de parte da equipe, que segue até as 17h30min, quando o segundo grupo entra em cena e trabalha noite a dentro até as 4h.

No canteiro foi construído um porto de onde partem os cilindro metálicos até a plataforma. Essas estruturas são fincadas no fundo do canal. Em seguida, uma perfuratriz se encaixa dentro da peça e cava até chegar na rocha a 55 metros de profundidade. Depois é colocada a ferragem entrelaçada e o concreto dentro do tubo. E o estaqueamento fica pronto.

Segundo o  Departamento de Infraestrutura (Dnit), até agora foram instaladas 32 das 134 estacas. Cada uma leva cerca de uma semana para ser colocada. A ponte terá 2,8 mil metros de comprimento e será a maior travessia da duplicação da BR-101 Sul.

De acordo com o superintendente sul do Dnit, Avani Aguiar de Sá,  o governo federal solicitou ao consórcio liderado pela Camargo Corrêa que entregasse a obra em julho de 2014, um adiantamento de 10 meses no prazo contratual, que é de maio de 2015. Mas as empresas disseram que seria impossível e se disponibilizaram a tentar terminar em dezembro de 2014.



Mudanças após 10 dias de greve

Uma obra com grande número de trabalhadores normalmente passa polêmicas. Uma delas, no mês passado, levou  os operários a pararem os trabalhos por 10 dias. Só retornaram após um acordo. Os operários cruzaram os braços insatisfeitos com os salários, alimentação e situação do alojamento.

Após a negociação, intermediada pelo Ministério do Trabalho de Criciúma, eles conseguiram o abono de 30% no salário e a demissão sem justa causa para quem não quisesse mais continuar no trabalho. Cerca de 100 trabalhadores foram embora.

Os que ficaram estão tendo os dias parados compensados em horas-extras. Hoje, o salário dos trabalhadores da ponte é de R$ 908 para os não qualificados e R$ 1,3 mil para pedreiros e armadores.

O Ministério do Trabalho de Criciúma irá atuar em um força-tarefa com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Obras Públicas Privadas e Afins de Santa Catarina para avaliar as condições de trabalho dos operários. Segundo o Dnit, o período sem trabalhos no canteiro não interferiu no cronograma de obra.


Duplicação ainda longe do fim

Mais uma vez o prazo para a conclusão da primeira fase da duplicação da BR-101 em SC foi adiado. A projeção do Dnit é finalizar em dezembro deste ano, com cinco anos de atraso. Isso sem contar as obras com contratos posteriores e os túneis do Formigão (iniciado esse ano em Tubarão) e do Morro dos Cavalos, em Palhoça, que ainda não saiu do papel. O lote 29 está com 98% do elevado no contorno de Araranguá concluídos. A demora é porque as duas pontes sobre o rio começaram a ser erguidas no segundo semestre de 2012.

Segundo o Dnit, o estaqueamento está pronto e as travessias devem ser finalizadas até agosto. O outro causador de mais adiamentos nos prazos é o viaduto na cidade de Sombrio, que estava previsto para ter cerca de 60 metros e foi estendido para mais de 200 metros de largura a pedido da comunidade.

No trecho 25, que ficou conhecido como lote da vergonha, o prazo passou de maio deste ano para setembro. Mas, o superintendente sul do Dnit, Avani Aguiar de Sá, lembra que falta apenas concluir um viaduto. Já as pontes antigas de Tubarão e Capivari serão restauradas em um contrato de obras complementares ainda não lançado. No Morro do Formigão, os motoristas já podem perceber a escavação do túnel. Os trabalhos começaram em fevereiro. O prazo de execução é de dois anos.

Em Laguna, para iniciar a construção de dois viadutos de acesso à nova ponte se necessita da contratação da empresa vencedora da licitação. Se começar em maio, a obra pode ficar pronta em julho de 2014.

-  A Setep ganhou e já foi homologada. Estamos só aguardando a assinatura do contrato - afirma Sá.

Quanto ao túnel duplo do Morro dos Cavalos, em Palhoça, a expectativa do Dnit é de conseguir até maio a licença prévia para abrir a concorrência da escolha da empreiteira.
Segundo um estudo apresentado em 2012 pela Fiesc, não há como a duplicação ficar pronta antes de 2017 por causa da demora no início da construção do túnel em Palhoça.

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