10/02/2012 | 07h50

Valiosos no mercado de luxo, concierges atendem aos difíceis e inusitados pedidos de clientes VIPs

Eles ficam responsáveis por hospedagem, aluguel de barcos e reservas em lugares disputados

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Valiosos no mercado de luxo, concierges atendem aos difíceis e inusitados pedidos de clientes VIPs Felipe Carneiro/Agencia RBS
Murilo Bonato já atendeu famosos como o cantor Daniel e o jogador Ronaldinho Gaúcho Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Eles trabalham com o impossível e com o imprevisível. Se não há mais camarotes à venda, mansões em Jurerê Internacional ou lancha para alugar em toda a Ilha de Santa Catarina, lá estão os concierges, com celulares em punho, para mais um de seus passes de mágica.

Esses profissionais são pagos - geralmente, por gente rica - para resolver problemas e atender aos mais variados pedidos a qualquer hora do dia. Em Florianópolis, eles têm papel fundamental na estada de turistas endinheirados. O cliente liga, de qualquer parte do país ou do mundo, e entrega suas férias - e, muitas vezes, seu dinheiro - nas mãos dos concierges.

Informados e cheios de contatos, eles prestam um tipo de consultoria ao turista, indicando os melhores restaurantes, baladas e passeios. Também ficam responsáveis pela hospedagem, aluguel de casas, barcos e helicópteros, táxi executivo, serviço de segurança e governança e até reservas em ambientes disputados. Só depende do desejo do cliente.

Se o cara for baladeiro, por exemplo, o profissional monta um roteiro de festas imperdíveis. Se for sossegado, cria um programa que agrade a família, incluindo atividades para crianças e cabeleireiro para a mulher. 

- Antigamente, o profissional só trabalhava para hotéis, ajudando hóspedes. Hoje, há os concierges da cidade - diz Murilo Bonato, dono de uma empresa que leva o seu nome.

Murilo, que também é relações públicas do Planeta Atlântida, já atendeu clientes como o jogador Ronaldinho Gaúcho, o piloto Enrique Bernoldi, o cantor sertanejo Daniel, os músicos Júnior Lima e Júlio Torres e o DJ britânico Carl Cox. Nascido em Florianópolis, o empresário, que começou como promoter, diz que a cidade tem potencial para o negócio, pois virou destino de ricos e famosos.

Ele conta que 90% dos seus clientes são de São Paulo, Brasília e Curitiba e que metade dos afortunados que visitam a Ilha são jovens que gastam o dindim da família com longas noitadas. A outra metade é formada por empresários bem sucedidos que viajam com a família. Murilo, que ganha 10% do valor total do programa que agencia, garante que há mercado o ano inteiro. Shows com DJs internacionais fazem com que os clientes retornem a Floripa em outras estações.

Mas nada se compara com o verão, claro. Nesta época, uma casa em Jurerê Internacional custa de R$ 8 mil a R$ 12 mil a diária. Camarotes são vendidos por até R$ 40 mil (não, não é banhado a ouro!).

História de charlatão

Há dois anos, um homem disse ser embaixador de Gucci, Dolce & Gabbana e Louis Vuitton no Brasil. Ele teria se infiltrado entre ricos e presenteado seus "amigos em potencial" com bolsas e óculos das marcas. Resumo da ópera: passou dias hospedado em uma mansão, com uma BMW exclusiva, passeando de iate, bebendo champanha e curtindo baladas de graça. Antes de ir embora, convidou os novos amigos para uma visita a SP. Dois deles foram. Chegando lá, não havia chofer, apartamento na cobertura nem carro à disposição da dupla, como prometido pelo charlatão. Isso não lembra o filme VIP's (o cara que se passa por outra pessoa para se dar bem)?

Missão: dar um jeito - e rápido!

 

Lauryn Hill, Jesus Luz, Guga Kuerten, Selton Mello, Ben Harper, Jack Johnson, Maria Bethânia, Glória Maria... A lista de famosos é vasta. Todos eles já foram atendidos por concierges do Il Campanario Villaggio Resort, em Jurerê Internacional.

Os profissionais resolvem todas as pendengas dos hóspedes, incluindo contato com guinchos e transportadoras para trazer o carrão importado do cliente que vai passar só meia dúzia de dias na Ilha.

- Um verdadeiro concierge tem que ficar no lobby do hotel. Ele é a pessoa de confiança do hóspede e um realizador de sonhos. Não importa o que nos pedem, a gente tem que achar uma solução - afirma a chief concierge Carline Fossati, a coordenadora do serviço no resort.

Mas engana-se quem acha que o trabalho é puro luxo. Segundo a colega de Carline, Ana Ferrari, o ofício é estressante, já que o profissional tem de se desdobrar em mil para atender os clientes em qualquer hora do dia:

- Se você não der um jeito, as pessoas se desiludem. Você também tem que sempre indicar um lugar legal para não voltarem reclamando.

Às vezes, as solicitações são bem inusitadas. Segundo as concierges, um jovem já pediu que elas olhassem a lista de hóspedes para descobrir se havia alguém de idade dele para lhe fazer companhia no Planeta Atlântida (nada vinculado a pegação, só parceria mesmo). Outra vez, uma senhora fez um pedido especial:

- Ela chegou para mim e falou: você pode mesmo me ajudar? Então faça meu filho parar de beber! - relembra Carline, que não viu outra solução que não chamar uma psicóloga para bater um papo com o rapaz.

Elas apontam para onde ir

 

As amigas Carol Lobato, Tati Kindermann e Renata Costa eram referência, em Florianópolis, para amigos e conhecidos que vinham de fora de Santa Catarina. Elas sempre indicavam um lugar ou um passeio para essa turma. Certo dia, viram que o que estavam fazendo abrangia um nicho de mercado pouco valorizado na cidade. Uniram forças e criaram o High Floripa, um serviço de concierge que existe há um ano. 

- Muita gente que está vindo passar férias na Ilha não quer se incomodar. Então, liga para a gente. Essas pessoas buscam saber o que fazer e aonde ir. Para o cliente, é muito mais simples e não se perde tempo - explica Carol.

As meninas já tinham bons contatos na cidade por trabalharem como promoteres da Posh Club, uma das baladas tops da Ilha. Daí foi um pulo para conseguirem clientes para o novo negócio. Hoje, atendem muita gente de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro e de países como Estados Unidos e Espanha. Um dos principais serviços é a organização de "esquentas", que antecipam a noitada. 

- Acabamos criando uma relação de amizade com essas pessoas, pois elas confiam na gente - diz Tati. 

- Isso acontece porque eles estão sendo atendidos por quem conhece a cidade. Vamos indicar sempre o lugar certo para ser visitado na hora e no dia certos - completa Renata.

Apesar de fazer parte de um universo caro, quem procura o serviço pode garantir um desconto. O High Floripa, por exemplo, consegue reduzir em até 10% o valor da hospedagem em hotéis parceiros. As gurias também pensam em montar um guia da Capital para o público VIP e um site com versão inglês.

Outras histórias

Lancha para Ronaldinho

Ronaldinho Gaúcho queria alugar uma lancha em Florianópolis às vésperas do Ano-Novo. Todas disponíveis na cidade já haviam sido reservadas. O jogador estava disposto a pagar R$ 50 mil por um barco que, geralmente, é alugado por R$ 12 mil. O concierge arrumou a lancha de um empresário para Ronaldinho, mas o atleta não conseguiu fazer o passeio. Quando o dono soube quem seria o cliente, desistiu do negócio, temendo que a embarcação voltasse destruída.

Manhê, socorro!

A concierge Carline Fossati teve que arrumar uma batedeira para a chef de cozinha da diretoria do Facebook. A mulher precisava fazer um suflê para o grupo, que estava hospedado em uma casa em Jurerê Internacional. Especula-se que até Mark Zuckerberg estava lá. A moça foi até a cozinha do Il Campanario, mas lá só havia batedeira industrial. A saída foi correr até a casa de sua mãe, que mora perto, para pegar o eletrodoméstico.

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