papo de bamba09/02/2012 | 06h20

Confira bastidores de nosso encontro com Zeca Pagodinho no Rio de Janeiro

Repórter encontrou o sambista em uma mesinha do Teatro Rival, na Cinelândia

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Confira bastidores de nosso encontro com Zeca Pagodinho no Rio de Janeiro Guto Costa/Divulgação
Zeca Pagodinho é só alto astral Foto: Guto Costa / Divulgação

— Diz para o Zeca que eu mandei um abraço.

Foi o que mais ouvi quando, na terça-feira, dia 1º, comentei com algumas pessoas que iria para o Rio de Janeiro entrevistar Zeca Pagodinho. Recado do vizinho do prédio, do colega jornalista, do compositor amigo, da mulher de músico, do taxista que me levou ao aeroporto.

À tarde, poucos antes das 18h, sentei em uma mesinha do Teatro Rival, na Cinelândia, para entrevistar Zeca Pagodinho. Estava preocupada: haviam me dito que Zeca é tímido, econômico nas palavras e que para se soltar precisaria tomar umas cervejas.

— Oh, seu mané. Consegue um abridor aí para a gente? — gritou ele, com um boné na cabeça e uma camisa xadrez de manga cumprida para se proteger do friozinho de 17ºC que fazia naquela tarde chuvosa no Rio acostumadamente ensolarado.

Zeca estava ali para passar o som em um show de Nelson Sargento, onde daria uma canja.

Pelo jeito — falava alto, vez que outra soltava um palavrão, ria e abraçava pessoas — estava à vontade: carregava nas mãos uma garrafa de vinho tinto seco e uma taça. Por isso, o abridor.

Meia hora depois, Zeca Pagodinho subiu o mezanino para a entrevista.

Comecei pelo abraço, aquele que as pessoas tinham mandado. E lasquei a pergunta:

— De onde vem tanta intimidade?

Zeca deu o tom da entrevista:

— Intimidade com homem não. Com homem é amizade — brincou.

Entrevistar Zeca Pagodinho foi prazeroso. Sem vadiar: exigiu concentração total: ele soltou a língua até pela falta de fotos nas paredes do teatro restaurado:

— Com sambista é assim, quando há dez anos precisaram de um show eu vim. Nem foto minha tem. Se fosse o Caetano Veloso... teria uma sala com o nome dele — comparou.

Foi aí que levantou da cadeira e deu uma caminhada, até parar em um cantinho perto da porta:

— Estou aqui, e bem acompanhado, com Dona Ivone Lara, e compadre Arlindo Cruz. Nem preciso de mais nada.

De volta à entrevista:

— Você bebe vinho tinto Zeca?

— Bebo vinho de tudo que é jeito. Cerveja sim que tenho a minha preferida.

A entrevista foi em blocos. Até por que de linear Zeca Pagodinho não tem nada.

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