Três meses depois de dar início à primeira experiência da carreira como treinador, Paulo Jamelli foi demitido. A direção do Marcílio Dias não suportou o início de Campeonato Catarinense com três derrotas e um empate. A paciência dos dirigentes esgotou depois da derrota de 2 a 0 para a Chapecoense. Jamelli lamenta o imediatismo dos diretores e o fracasso do projeto iniciado no mês de novembro, em Itajaí.
Jamelli, com 37 anos, deixa o Marcílio com uma campanha de três derrotas e um empate no Estadual 2012. E, na análise que faz do trabalho, os resultados o derrubaram. Ao todo foram 25 novos jogadores e três meses de comando do grupo. E é do grupo que Jamelli mais sentirá falta. No momento da despedida, no vestiário contra a Chapecoense, cerca de 10 jogadores choraram e pediram a permanência do técnico.
Agora, Jamelli retorna para São Paulo com o objetivo de dar sequência à carreira de treinador.
Entrevista com Paulo Jamelli, ex-técnico do Marcílio Dias
Diário Catarinense — A demissão te surpreendeu, mesmo com os resultados ruins?
Paulo Jamelli — A diretoria me procurou e me informou que não queria que eu continuasse. Foram os resultados, pois nas últimas partidas existia uma evolução. Claro que um time que perde muitos jogos e toma muitos gols é complicado de explicar que está evoluindo. É difícil de explicar para a diretoria que está acontecendo um equilíbrio. É mais fácil demitir o treinador.
DC — Sentimento ao ser demitido logo após o início da nova carreira?
Jamelli — Saio daqui frustrado, mas com a consciência tranquila. O meu sentimento é de não ter feito o que havia me proposto a fazer. Apesar de tudo que deu errado, as coisas foram boas.
DC — Como o grupo do Marcílio reagiu à demissão?
Jamelli — Quando eu disse no vestiário que havia sido demitido, mais de 10 jogadores choraram e pediram para que eu ficasse. Queriam ir falar com a diretoria mas, às vezes no futebol nem sempre quando você faz as coisas certas, como a gente estava fazendo, as coisas acontecem. Já vi muitas vezes na minha carreira de jogador, a situação inversa, e os resultados surgirem. Não tem jeito, a avaliação é sobre o resultado.
DC — Qual a impressão que fica diretoria do Marcílio Dias?
Jamelli — A diretoria do Marcílio é composta de pessoas de muita qualidade. O nosso projeto focava o acesso à Série B. Saio daqui frustrado, mas não teve nada de confusão. Foi tudo no bom senso, talvez eu também fizesse o mesmo se o meu treinador não conseguisse os resultados.
DC - Existe uma cultura no futebol brasileiro de impaciência com os treinadores?
Jamelli — Você não pode analisar e avaliar um trabalho com 25 jogadores novos em quatro partidas. É muito cedo. Não diria que seja uma cultura, mas sim uma rotina. A minha vinda para cá mobilizou muitas coisas boas, conseguimos bastante patrocínios. É o imediatismo, não são dois, três jogos ruins que tudo está errado. Nosso projeto focava o acesso à Série B.
DC - E agora, quais são os seus objetivos?
Jamelli - Vou seguir o meu caminho. Volto para São Paulo e já tenho alguns contatos. Alguns clubes já me procuraram querendo saber os motivos da demissão. Agora é seguir o meu caminho pois eu vou seguir nessa carreira, é isso que quero.










