Mercado de trabalho15/01/2013 | 22h45

Novo piso salarial de Santa Catarina começa em R$ 765 e vai até R$ 875

Acordo entre trabalhadores e empresários, estabelecido terça-feira na sede da Fiesc, terá efeito retroativo para o dia primeiro de janeiro

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Novo piso salarial de Santa Catarina começa em R$ 765 e vai até R$ 875 Charles Guerra/Agencia RBS
Trabalhadores da indústria metalúrgica fazem parte de uma das duas categorias que terá o maior aumento, de 9,37% Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Na quarta rodada de negociações entre trabalhadores e empresários, as duas partes chegaram a um consenso na tarde desta terça-feira: o piso regional deve ser reajustado em 9,3%, em média, valor acima do aumento do salário mínimo nacional este ano.

As categorias que recebiam R$ 700, como os trabalhadores da agricultura e da pecuária, vão passar a receber R$ 765, um reajuste de 9,28%. E aqueles que estavam na categoria com o maior salário, como os metalúrgicos, deixam de receber R$ 800 e passam a ter um pagamento de R$ 875, aumento de 9,37%.

Os trabalhadores começaram a reunião com a proposta de 10%, abaixo dos 12% sugeridos no início das negociações, no ano passado. E os empresários também chegaram à mesa com um índice revisado. No lugar dos 7% originais, propuseram 8,5%.

O reajuste de 9,3%, praticamente a metade do caminho entre as duas propostas foi fruto, segundo o economista do Dieese-SC, José Álvaro Cardoso, de uma negociação madura.

Na visão do representante dos trabalhadores, os argumentos mais fortes da classe trabalhista, que puxaram o reajuste para cima, foram o fato de que a economia brasileira está entrando em uma fase de recuperação, diferente de 2012, em que as perspectivas eram pessimistas. Também, que as reinvindicações históricas do empresariado têm sido atendidas. Cardoso cita a desvalorização do real, a redução da carga tributária e as mais baixas taxas de juros da história.

Do lado dos patrões, três argumentos convenceram os trabalhadores, segundo o economista: a crise econômica mundial, que tende a ser de longo prazo, especialmente na Europa; a desaceleração do crescimento brasileiro; e o risco de desindustrialização.

— O nosso contraponto foi de que reduzir salário não vai resolver nada disso. Pelo contrário, já que estamos em uma crise mundial. Precisamos valorizar o mercado interno, e uma das formas de fazer isso é via salário. E o patronato concorda — afirma Cardoso.

O presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da Fiesc, Durval Marcatto Júnior, que representa os empresários, diz que a evolução da proposta foi uma consequência da divulgação recente do INPC, que fechou 2012 com 6,5% de aumento, e do reajuste de 9% do salário mínimo, além da própria negociação.

Ele observa que a primeira categoria de salários, que engloba os trabalhadores da agricultura e da pecuária, teve o menor reajuste (confira todas as variações no box). A explicação está na crise do setor, causada, principalmente, pela subida nos preços dos grãos.

A estimativa do Dieese-SC é de que 1 milhão de trabalhadores catarinenses são atingidos pelo piso regional. Isso porque até as categorias que têm sindicato próprio se pautam pelo salário mínimo estadual.

Entre os cinco estados brasileiros que adotaram o piso regional, o de SC é o único a deixar a definição do índice nas mãos da negociação entre patrões em trabalhadores. Nos outros, o reajuste é definido pelo Estado. O resultado da negociação será encaminhado ao governador, para que seja enviado para a aprovação da Assembleia Legislativa. Os reajustes são retroativos a janeiro.

 

Confira os reajustes


De R$ 700 para  R$ 765 — Alta de 9,28%
Para trabalhadores da agricultura e pecuária, indústrias extrativistas e de beneficiamento, pesca, construção civil, indústria de instrumentos musicais e brinquedos, estabelecimentos hípicos, motociclistas, motoboys e do transporte em geral, empregados domésticos.

 

De R$ 764 para R$ 835 — Alta de 9,29%
Indústrias químicas e farmacêuticas, cinematográficas, de alimentação, comércio em geral, empregados de agentes autônomos do comércio.

 

De R$ 725 para  R$ 793 — Alta de 9,37%
Indústrias do vestuário e calçados, fiação e tecelagem, artefatos de couro, papel, papelão e cortiça, distribuidoras e vendedoras de jornais e revistas, administração das empresas proprietárias de jornais e revistas, serviços de saúde, moveleiras.

 

De R$ 800 para  R$ 875 — Alta de 9,37%
Indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico, gráficas, indústrias de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louça e porcelana, artefatos de borracha, seguros privados e capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito, edifícios e condomínios residenciais, comerciais e similares, indústrias de joalheria e lapidação de pedras preciosas, auxiliares em administração escolar, empregados da cultura, em processamento de dados, motoristas do transporte em geral, turismo e hospitalidade.

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Comentar esta matéria Comentários (1)

sergio nicolletti

acho este aumento justo, mas não é justo com os aposentados que deveriam ter o mesmo aumento, pois o custo de vida no estado aumenta, porque os empresarios repassam este aumento para suas mercadorias.

16/01/2013 | 07h48 Denunciar

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