Anunciada às vésperas de assinar o contrato com o governo do Estado para consolidar a vinda da BMW para SC, a saída do presidente da empresa no Brasil, Jörg Henning Dornbusch, pegou o mercado de surpresa.
O executivo foi substituído imediatamente por Torben Karasek, Diretor Financeiro e, desde ontem, presidente interino. É Karasek quem assinará o documento com o governo de SC na próxima segunda-feira.
A evasiva explicação da nota oficial dizendo que Dornbusch deixou o cargo "para assumir novos desafios profissionais", após 14 anos na empresa, chama atenção do mercado, embora o gerente de desenvolvimento de negócios da Jato, empresa de consultoria na área automotiva, Milad Kalume Neto, reconheça que o gesto da direção mundial da montadora não representa um movimento abrupto:
— A briga pelo share (participação de mercado) no Brasil esquentou nos últimos anos. Embora a BMW tenha crescido de 43,4% para 44,2% entre 2011 e 2012, houve quem tivesse expansão maior neste período. A Audi saltou de 19,65% para 24,78%. Esta é, com certeza, uma das razões. Mas não a única, certamente.
O diretor do Centro de Estudos Automotivos e ex-presidente da Ford, Luiz Carlos Mello, explica que a substituição na presidência a poucos dias da assinatura do principal contrato da montadora na América Latina é um fato importante para o Estado, mas que as empresas deste setor costumam agir desta maneira.
— Está dentro da normalidade, inclusive o movimento brusco, porque ele deixa a empresa em um momento importante demais para a companhia, em especial no caso dos catarinenses, que compartilham esta conquista.
Por meio da assessoria, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) explicou que quatro anos é o tempo médio de permanência em cargos da envergadura deste, ocupado até ontem por Dornbusch — que ficou por sete anos — e agora, temporariamente, por Karasek.
Nova função no Brasil exigiria um perfil diferente
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Paulo Bornhausen, que participa de todas as tratativas para atrair a BMW para SC, recebeu a notícia, ontem, dos representantes da montadora que acompanham o processo de instalação. Ele foi categórico ao afirmar que a troca não altera em nada o investimento de R$ 543 milhões:
— Não conheço o novo presidente, mas recebi a confirmação de que ele estará aqui, na segunda-feira, para assinar conosco o processo de instalação da BMW no Estado.
Perfil de quem saiu
Apesar do nome alemão, o economista Jörg Henning Dornbusch é carioca e tem 49 anos. Começou como trainee no Bank of Boston, de onde saiu para trabalhar na unidade do Banco Credit Commercial de France no Rio de Janeiro. Lá, atuou como gerente corporativo e diretor com responsabilidade sobre as operações de leasing para o Brasil. O executivo entrou na BMW em 1999, convidado para fundar e presidir o braço financeiro da empresa no Brasil. Em 2004, mudou-se para Los Angeles, passando a atuar na área de novos mercados do Grupo nos Estados Unidos. Em 2006, voltou para assumir a presidência da BMW no Brasil, cargo que ocupou por sete anos
Torben Karasek é o presidente interino
Foto: Arquivo Pessoal
Perfil do novo presidente
O novo presidente da BMW no Brasil, Torben Karasek, tem experiência de uma década no Grupo BMW, passando por outros dois escritórios regionais antes de assumir o posto de Diretor Financeiro e, temporariamente, acumular o novo cargo. Além de alemão — idioma da montadora —, é fluente em inglês, espanhol, francês e português.
Seu currículo inclui passagens pelos escritórios regionais que atendem África, Caribe e Europa Oriental, por onde passou os primeiros seis anos na BMW. Hoje mantém residência em São Paulo, onde fica o escritório brasileiro. Permaneceu como diretor financeiro por dois anos.
Seu início no Grupo BMW foi gerente de projeto em um banco alemão. Ainda na mesma área foi gerente regional sênior, até que foi contratado pela montadora para ser chefe de Planejamento, Direção de Risco e Finanças Internacionais.








