Indústria cerâmica04/05/2012 | 06h02

Fusão entre Portobello e Eliane esbarra na fatia dos sócios

Divisão da participação em 80% e 20% desagradou a grupo com menor parte e impediu o negócio

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Fusão entre Portobello e Eliane esbarra na fatia dos sócios Diego Redel/Agencia RBS
Com a união de suas estruturas, Portobello (foto) e Eliane formariam a maior indústria cerâmica do país Foto: Diego Redel / Agencia RBS

A criação da maior indústria cerâmica do país e nona maior do mundo, com a fusão das catarinenses Portobello e Eliane, teria esbarrado na disputa pela participação societária entre as duas empresas. Anunciada no final de 2011, a negociação não será consolidada, conforme divulgaram, de comum acordo, as companhias, em fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na quarta-feira.

A  direção das empresas não comentou o anúncio e apenas divulgou um comunicado oficial. Mas fontes ligadas às companhias avaliaram o que pode ter causado a divergência e o fim do acordo, que vinha sendo estudado há quatro meses.

O exame mais detalhado das finanças e das dívidas que teriam que ser pagas pelas empresas Portobello e Eliane, feito pela due diligence (análise que permite que se conheça em detalhes as situações de uma empresa antes de uma fusão ou aquisição) desfez o negócio.

Segundo uma fonte que preferiu não ser identificada, o exame puro e simples do patrimônio das companhias faria com que a nova sociedade tivesse 55% de participação da Portobello e 45% da Eliane. Quando as indústrias decidiram pela fusão, o exame dos débitos que teriam que ser feitos no futuro fez com que a participação da Eliane fosse reduzida a 20%.

— O que mais pesou para que o negócio não fosse efetivado foram as divergências sobre os valores de débitos futuros. A Eliane queria que a Portobello fizesse alguns contingenciamentos, como ela tinha feito, mas eles não chegaram a um acordo — disse a fonte.

Os contingenciamentos — provisões de recursos para possíveis débitos futuros — estariam relacionados com atuações envolvendo impostos como, por exemplo, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Estas provisões são, geralmente, valores representativos que podem afetar o patrimônio da empresa.

Caso a Portobello aceitasse fazer os contingenciamentos, a exemplo do que a Eliane tinha feito, a participação de 80% seria reduzida e a cotação das ações da empresa na bolsa também poderia ser afetada.

No comunicado oficial divulgado nesta quinta, as empresas informam que optaram por não se associarem, mantendo suas operações funcionando de forma independente, porque ao final dos quatro meses de estudos dos planos de integração da due diligence, "a conclusão, compartilhada por ambas as empresas, considerou que as sinergias e complementaridades, embora de fato existentes, ficaram abaixo das expectativas e que os custos de integração logística e operacional seriam consideráveis, impactando o novo negócio".

Frente a este cenário e ao programa de crescimento individual de cada empresa, os acionistas da Portobello e da Eliane decidiram priorizar seus planos de crescimento orgânico individual, abrindo mão do projeto de fusão, continua o comunicado. A nota termina afirmando que "é importante ressaltar que, durante as negociações, ambas as empresas seguiram suas operações normalmente e de maneira independente, não havendo prejuízos para suas atividades".

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